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Desde: 07/08/2009      Publicadas: 239      Atualização: 21/05/2010

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  08/08/2009
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OS EUA NÃO ERAM OS CULPADOS? - Por Sardenberg

-- Mas a crise lá termina antes ---

OS EUA NÃO ERAM OS CULPADOS? - Por Sardenberg
Os últimos números mostram que a queda na atividade econômica foi extremamente forte nos países ricos da Zona do Euro e nos asiáticos, no último trimestre de 2008. Na verdade, muito mais forte do que nos Estados Unidos.
Quanto ao futuro próximo, análises do FMI sugerem que a recessão será mais profunda nos europeus e asiáticos do que nos EUA. E, finalmente, que os EUA devem se recuperar mais rapidamente do que os outros países ricos.
Não era para ser o contrário?
Quando a crise começou, parecia que era "apenas" dos Estados Unidos, mais exatamente do modelo de capitalismo americano, mais aberto, menos regulamentado. Governantes dos países da Zona do Euro e asiáticos, com seus modelos de maior intervenção estatal, apressaram-se em fazer recriminações aos colegas americanos. "Parece que os professores estão com alguns problemas", comentou o primeiro-ministro da China. "A era do laissez-faire acabou", decretaram os presidentes do Brasil, Lula, e da França, Nicolas Sarkozy. Ambos diziam que seus países estavam relativamente bem protegidos.
Não era bem assim. A crise avançou, atingiu a todos e mostrou-se mais virulenta ainda fora dos Estados Unidos.
Mesmo assim, todos continuaram a colocar a culpa no modelo americano, que teria contaminado os demais. É fácil fixar a culpa dos excessos financeiros de Wall Street e da falta de regulamentação da parte do governo americano. Até Allan Greenspan acha que algo saiu muito errado com o sistema financeiro.
Mas os problemas não ficam aí. A crise atingiu a economia real do mundo todo. E como foi isso?
Os americanos, de novo - diz, por exemplo, o argumento chinês. É um argumento que traz um certo rancor, algo mais ou menos assim: então a China aceita seu papel de exportador na globalização, sacrifica os consumidores nacionais para gerar excedentes de exportação, e quando está tudo funcionando bem, o "grande consumidor", o americano, lógico, simplesmente quebra e desaparece dos shoppings?
Lembram-se do varejo de antigamente, pequenas lojas, sempre operadas pelos seus donos? Lembram-se como o vendedor ficava furioso com o freguês que não comprava nada?
É como os chineses " e todos os asiáticos do modelo exportador " parecem estar se sentindo.
Números justificam essa bronca. No último trimestre de 2008, a China cresceu praticamente zero, um desastre para um país acostumado a taxas anuais de expansão acima dos 10%. As exportações caíram, pela primeira vez na história moderna.
E o Japão, precursor do modelo exportador? No último trimestre do ano passado, o produto caiu a uma taxa anualizada de 10%. Sabem o que é isso, encolher 10%? E as exportações de dezembro/08 foram nada menos que 35% menores do que as do mesmo mês de 2007.
E quase tudo porque os americanos, excessivamente endividados e tendo perdido a riqueza que estava na bolha financeira, reduziram os gastos drasticamente.
Tudo se passa como se os asiáticos tivessem sido obrigados a assumir esse papel. Não foram, é claro. Eles apenas perceberam, muitos anos atrás, que esse era o melhor atalho para crescer rapidamente e, sim, enriquecer. Com aqueles salários? " é a justa pergunta.
Mas salários baixos numa fábrica de Barbies ainda era melhor que a miséria da zona rural. E depois, olhando para a frente, sempre havia o exemplo do próprio Japão: começou do mesmo modo, apenas exportador, salários de fome e pouco a pouco, na medida em que o país ia ganhando dinheiro, foi mudando para um modelo que incluiu salários mais altos, mais consumo, mais bem estar.
Mas não deu tempo para a China e os demais asiáticos. (Deu, em boa parte, para a Coréia do Sul, que continua exportadora, mas com um padrão de vida mais perto dos ricos).
Que fazer? Se a recuperação dos EUA e do Ocidente rico e consumidor demorar, a China e os demais terão que começar a mudar o modelo desde já. Em outras palavras, criar mecanismos para aumentar a renda e o consumo internos e tornar a economia mais balanceada. Ou seja, eles precisam aproximar mais seu modelo do ....americano!
Essa crise é surpreendente todo dia.
  Web site: www.sardenberg.com.br/site/index.php  Autor:   Sandra Salen





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